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  • Trapiche - educação, cultura & artes: "Arte, Maternagem e Feminismos"
    n. 3 (2019)

    EDITORIAL

    Ao longo de sua formação enquanto espaço de discussão transversal, a Revista Trapiche vem debatendo temas relacionados à cultura, à arte e à educação, sem perder de vista a complexidade e o dinamismo que movimenta suas discussões. Na edição atual, o tema da maternidade surgiu como agenciador dos discursos aqui apresentados e foi estimulado pela realização do Seminário homônimo que deu título a este dossiê - Arte, Maternagem e Feminismos – ocorrido em junho de 2019, na Universidade Federal de Sergipe. Assim, os textos e as imagens aqui apresentados, são reverberações desse encontro mobilizador que reuniu diferentes áreas do conhecimento, tanto no âmbito acadêmico/científico, quanto na esfera artística e do conhecimento popular, todos conectados pela expressão do materno enquanto prática social potencialmente transgressora e criativa.

    Em termos institucionais, o evento foi motivado pelo projeto de pesquisa PIBIC, anfitrião, intitulado “Cuidados diários: artistas/mães auto-representando sua maternagem recente”, coordenado por mim, e foi realizado em conjunto com pesquisadoras e estudantes da Universidade Federal de Sergipe e Instituto Federal de Sergipe que compuseram a Comissão de Organização e Científica do evento. O Seminário possuiu ainda parceria com o Programa de Pós-Graduação em Culturas Populares, com o Grupo de Pesquisa Arte, Diversidade e Contemporaneidade e Instituto Federal de Sergipe.

    De forma sucinta, o evento se estruturou a partir de discussões orais – palestras, mesas redondas e comunicações; atividades artísticas – performances, exibição de filmes, podcast, exposição artística; oficina e roda de experiências. Contou ainda com um espaço simultâneo, oferecido às crianças, na tentativa de viabilizar a participação concentrada de suas (seus) cuidadoras (es). Assim, a estrutura desta edição da Revista, engloba parte das atividades desenvolvidas durante o evento.

    Na sessão Artigos, o leitor encontrará o corpo teórico central da Revista. Compõem essa sessão, textos que abordam questões específicas acerca da maternagem, enquanto prática de cuidado e experiência do cotidiano.

    O texto de abertura, da experiente pesquisadora, Ciane Fernandes, nos convoca à reflexão sobre os entrelaçamentos necessários e especializados entre a Arte e a Vida, a partir de um ponto nevrálgico: a imersão em corpo-ambiente e a criação ético-estética em colaboração com uma criança autista.

    O segundo texto apresentado, uma co-autoria entre eu e a orientanda Raiane de Jesus, aborda a terceirização do cuidado materno no âmbito do acolhimento institucional na cidade de Aracaju. Neste caso, as chamadas Mães Sociais assumem o protagonismo do discurso e as relações de cuidado são enfatizadas como pilar sustentador do tipo de vinculação institucional pretendida.

    Já no artigo da também experiente Lourdisnete Benevides, nos deparamos com um patchwork entre a experiência autobiográfica, o imaginário poético, a ciência e a ancestralidade. De filha à mãe de mãe dos anos 1920, Benevides nos debulha um emaranhado poético entre as formas de conhecer e de conhecimento na passagem entre o nascer e o morrer, nesse alinhamento entre a história do mundo e a nossa.

    Já Júlia Caianara, também estreante e a partir da pesquisa de PIBIC já mencionada, orientada por mim, nos oferece um questionamento acerca das razões e motivações de uma baixa produtividade artística envolvendo o tema da maternidade, em Sergipe. Apesar desse fato espelhar o âmbito brasileiro, o artigo nos faz refletir sobre um disparate entre essa condição e a visibilização do tema na arte e circuito internacionais.

    Fechando a sessão, a especialista Melanie Letocard reflete temas chaves da epistemologia feminina como direitos sexuais, a relação entre a prática do cuidado e a constituição social, bem como a relação de liberdade e domínio do corpo feminino, a partir da obra El país de las mujeres , de Gioconda Belli. Apesar do romance apresentar uma condição supostamente utópica para o contexto da Nicarágua, a leitura de Letocard lança uma perspectiva transgressora e potencial para a constituição social contemporânea. É com essa possibilidade que encerramos essa sessão.

    Na sessão Ensaios, Victória Araújo apresenta parte da série Autoras que expôs durante o evento. As imagens nos mostram aspectos dessa feminilidade, que ora exige um recolhimento, ora nos convoca à força.

    Na sequência, os Resumos Expandidos trazem um estímulo, com gostinho de “quero mais”. Todos os resumos equivalem a uma comunicação oral apresentada durante o evento e estão mesclados de forma a contemplar as duas linhas centrais das apresentações: Atualizações nas relações entre arte e feminismo e Tensões de classe, raça e gênero na maternagem.

    Na galeria, temos uma convite proposto por Bruxxa. Um convite realizado durante a Oficina ocorrida como preparação para o Seminário e que tratava da utilização do fanzine como recurso artívista. Assim, ela nos surpreende com cores e recortes, chamando atenção para a invisibilização da categoria Mãe.

    Fechando a revista, contamos com o grito de Priscila Costa, que participou do evento compartilhando dois episódios da série de Podcast Ver.SAR, na qual artistas convidadas lêem textos de mulheres-autoras selecionados por elas. A mensagem final e que ora aqui evocamos como encerramento deste editorial é: É PRECISO LER E OUVIR AS MULHERES!

    Maicyra Teles Leão e Silva
    Aracaju, outubro de 2019.

  • Trapiche - educação, cultura & artes
    n. 2 (2015)

    Apresentação

    Para a revista Trapiche, discutir temas acerca das culturas populares é se disponibilizar a enfrentar alguns desafios. Um deles é abordá-las sem desconsiderar suas singularidades, contradições, histórias e contextos. Partindo para esse enfrentamento, a revista Trapiche elegeu esse tema presente nos nove textos aqui publicados. Apresentamos um coletivo de autores e autoras que nos trazem valiosas reflexões. Na seção Artigos Luciana Hartmann e Joana Abreu problematizam “os procedimentos éticos empregados por aqueles que fazem uso de manifestações performáticas tradicionais na cena contemporânea” e buscam refletir “sobre os seus processos metodológicos de transmissão de conhecimentos”. Neila Maciel faz um recorte na arte moderna baiana, soteropolitana, destacando traços regionais em análise de imagens, considerando-as como discurso visual e ideológico. Andrea Betânia volta-se para a cantoria de improviso para discutir tradição e modernidade através dos festivais de violeiros. No campo dos espetáculos e da dramaturgia nordestina, Reginaldo Carvalho analisa o espetáculo Casamento da Maria (Casamento matuto). O rico universo das cantigas de rodas e os efeitos de sua ludicidade no corpo na formação de professores é o que nos apresenta Cristina Aparecida Leite. Também numa perspectiva pedagógica, Jonas de Lima Sales aborda a corporeidade e estéticas da tradição popular na escola. Na Conexão Estudante, temos dois textos, os dois voltados para sambas tradicionais sergipanos: Jonathan Rodrigues expõe seu processo criativo através do Samba de Pareia, pesquisa realizada como seu Trabalho de Conclusão de Curso, da Licenciatura em Teatro da Universidade Federal de Sergipe e o Samba de Aboio é parte da monografia de especialização de Maria de Fátima de Assis Silva, Virna Fabíola Ferreira Santos e Maria Cleide Calderaro. E para completar esse diverso e rico mosaico de temas e leituras, inauguramos nesta edição a Galeria de fotos, mostrando crianças atuantes em folguedos, imagens realizadas em pesquisas. Esperamos, por meio dessa publicação, disponibilizar textos e reflexões que provoquem outras ideias, outros cantos, outras rodas.

    São Cristóvão, dezembro de 2015.
    Alexandra Gouvêa Dumas
    Editora-chefe / Profa. da Universidade Federal de Sergipe

  • Trapiche - educação, cultura & artes
    n. 1 (2014)
    Olhares de um trapiche

    Com alegria, apresentamos o primeiro número da revista Trapiche – Educação, Cultura & Artes, uma iniciativa do grupo de pesquisas ARDICO – Arte, Diversidade e Contemporaneidade (CNPQ/Universidade Federal de Sergipe). Criado como grupo de pesquisas nas áreas de Teatro e Dança e sob a coordenação do renomado professor Bernard Charlot, o ARDICO se propõe a incentivar e desenvolver pesquisas em Teatro e Dança, a partir de linhas de pesquisa vinculadas à arte-educação e a práticas e investigações contemporâneas. O Grupo ARDICO funciona no Campus de Laranjeiras da UFS, abrigado no casarão restaurado de um antigo trapiche do centro histórico.

    O primeiro número da revista Trapiche ensaia desejos e possibilidades de criação de um espaço de troca de saberes, troca de olhares, através de seus artigos, ensaios, entrevistas e relatos de experiências.

    Neste número, pesquisadores, artistas e professores, como Raimundo Matos de Leão, Cilene Canda e Toni Edson falam de pesquisa, de vivência e prática de realização e ensino das artes. Na seção Ensaio, Raimundo Matos de Leão retoma um ensaio publicado na Revista CEAP para atualizar a discussão em Sobre arte e suas linguagens no espaço educativo. Em Pedagogia do jogo e da aprendizagem do teatro do oprimido, Cilene Canda mergulha na abordagem estética da pedagogia do jogo no teatro do oprimido, resultado de sua pesquisa de doutorado. Toni Edson, em seu texto A dramaturgia de uma sessão de contos – a construção de Afrocontos, Afrocantos passeia pela contação de histórias, para analisar um processo de criação dramatúrgica. Na Papo de Professor, Alexandra Dumas entrevista a Profa. Célida Salume Mendonça, uma aula de metodologias e reflexões sobre o ensino do teatro.

    A revista Trapiche inaugura também um espaço para publicação de pesquisas de iniciação científica, colaboração em grupos de pesquisa ou resultados de trabalhos de conclusão de curso de autoria de estudantes de graduação. A Conexão Estudante deste número traz quatro textos dos estudantes da licenciatura em Teatro, Jaqueline Paixão e Tihago Santana, e da licenciatura em Dança, Ednaldo Santana e Priscila Rodrigues. Por fim, a seção Acervo Trapiche apresenta resultados de uma pesquisa sobre o perfil sócio-artístico de grupos de teatro de Laranjeiras e adjacências, pelos estudantes de teatro da UFS, Jonathan Rodrigues, Audevan Caiçara, Franciane Cruz e Viviane Santana.

    A revista Trapiche – Educação, Cultura & Artes surge com a vocação do seu lugar de origem, de um armazém, não de mercadorias, mas de saberes e olhares em trânsito. Desejamos que esta publicação possibilite trocas sempre valiosas.

    Bem vindos à Trapiche!

    São Cristóvão, dezembro de 2014
    George Mascarenhas (editor-chefe)
    Alexandra Dumas (editora adjunta)
    Isabela Oliveira (editora adjunta)