<b>Maternidade e branquitude: uma discussão sobre os privilégios raciais, simbólicos e materiais</b>

  • Bárbara Ferreira de Freitas PPGNEIM - UFBA

Resumo

RESUMO
Neste texto, entendo a maternidade enquanto uma construção social e um trabalho que, para existir, necessita de um conjunto de fatores sociais, políticos e econômicos; e a branquitude, como um conjunto de elementos sociais: um lugar de privilégio estrutural, um ponto de vista hegemônico de onde se enxerga o mundo e um conjunto de práticas e identidades culturais. O objetivo é analisar a categoria maternidade a partir do conceito de branquitude. Portanto, demonstro que: privilégios, poderes e ideologias da branquitude, historicamente construídos, funcionam enquanto um marcador de distinção social e um referente hegemônico no exercício da maternidade; e que o discurso essencializante da maternidade, enquanto um desejo natural de todo ser do sexo feminino direcionado ao cuidado materno desconsidera a construção social das mulheres, confinando-as a uma condição biológica universal e invisibiliza as desigualdades sociais, vulnerabilidades e os privilégios que diferenciam o acesso ao exercício da maternidade, entre mulheres negras e brancas.

PALAVRAS-CHAVE: Maternidades. Contínuo histórico. Branquitude. Privilégios.

Biografia do Autor

Bárbara Ferreira de Freitas, PPGNEIM - UFBA

Mestre em Estudos interdisciplinares em Gênero, Mulheres e Feminismo (PPGNEIM/UFBA).

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Publicado
2019-10-19