A (re)existência de mulheres na forma de saberes ancestrais

repensando outras relações entre ciência, ambiente e educação no contexto pandêmico

  • Dominique Jacob Fernandes de Assis Castro Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ/NUTES)
  • Bruno Andrade Pinto Monteiro Universidade Federal do Rio de Janeiro, Programa de Pós Graduação em Educação em Ciências e Saúde, Programa de Mestrado Profissional em Ensino de Química, Rio de Janeiro, RJ, Brasil
Palavras-chave: Colonialidade cosmogônica. Educação Ambiental de Base Comunitária. Pandemia. Saberes ancestrais.

Resumo

Fundos da Baía de Guanabara (RJ), local que a vida insiste em existir ou seria persistir? Marcado historicamente por injustiças socioambientais, os fundos da Baía ainda abrigam uma rica biodiversidade apesar de toda destruição e degradação em larga escala. E essa biodiversidade que insiste e persiste, também se encontra nas comunidades do entorno, principalmente nas mulheres, que ainda lutam pela vida, mesmo quando essa é sistematicamente institucionalizada para matá-las. E são seus saberes ancestrais que as ressignificam na luta diária de resistência, seja na forma de lidar com os conflitos socioambientais do entorno, seja no atual contexto pandêmico. Como esses saberes podem nos ajudar a refletir sobre relações outras entre educação, ciência e ambiente de forma mais justa? Quais contribuições esses saberes trazem para o ensino de ciências e a educação ambiental? Longe de fornecermos respostas, essas são algumas das reflexões para o qual o artigo se propõe.

Biografia do Autor

Dominique Jacob Fernandes de Assis Castro, Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ/NUTES)

Graduada em licenciatura e bacharel em Ciências Biológicas pela Universidade Federal Fluminense (UFF). Especialista em Ensino de Ciências e Biologia pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Mestranda do Programa de Pós Graduação em Educação em Ciências e Saúde pelo Instituto NUTES/UFRJ. Pesquisadora do Grupo de Pesquisa em Linguagens no Ensino de Ciências (LINEC-UFRJ/Macaé). Atualmente é professora da educação básica e atua como educadora ambiental/popular na ONG Água Doce Serviços Populares.

Bruno Andrade Pinto Monteiro, Universidade Federal do Rio de Janeiro, Programa de Pós Graduação em Educação em Ciências e Saúde, Programa de Mestrado Profissional em Ensino de Química, Rio de Janeiro, RJ, Brasil

Doutor em Educação em Ciências e Saúde pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (NUTES/UFRJ). Mestre em Tecnologia Educacional nas Ciências da Saúde (NUTES/ UFRJ). Licenciado em Química (UFRJ) e em Física (UNIS). Técnico em Química. Professor Associado da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ/Macaé). Professor do Programa de Pós-Graduação em Educação em Ciências e Saúde (NUTES/UFRJ). Professor do Mestrado Profissional em Ensino de Química (PEQUI/UFRJ). Membro do Grupo de Pesquisa em Linguagens no Ensino de Ciências (LINEC-UFRJ/Macaé). Colaborador do Coletivo de Pesquisa em Cinema Ambiental (CUCA-NUPEM/ UFRJ). Colaborador do Grupo de Estudos em Educação Ambiental desde el Sur (GEASUR/UNIRIO). Membro do Núcleo de estudos Afro-brasileiro e Indígena da cidade universitária de Macaé (NEABI). Pesquisas no campo da Educação e Divulgação em Ciências, com ênfase nas temáticas de formação de professores, decolonialidade, direitos humanos, interculturalidade, educação ambiental, mídias, espaços escolares, não escolares e virtuais de educação.

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Publicado
2020-10-29
Como Citar
Castro, D. J. F. de A., & Monteiro, B. A. P. (2020). A (re)existência de mulheres na forma de saberes ancestrais: repensando outras relações entre ciência, ambiente e educação no contexto pandêmico. Revista Sergipana De Educação Ambiental, 7(Especial), 1-16. https://doi.org/10.47401/revisea.v7iEspecial.14425