O QUESTIONAMENTO DO EXIBICIONISMO MACHISTA NA OBRA DE ELVIRA VIGNA

Resumo

O presente trabalho encarrega-se de vislumbrar a representação das mulheres, principalmente as personagens que exercem trabalho sexual, na obra de Elvira Vigna, Como se estivéssemos em palimpsesto de putas (2016). A narrativa expõe a perspectiva machista que persegue as mulheres em geral e apresenta uma série de estigmas para então derrubá-los com os questionamentos de uma aguçada narradora. Homi Bhabha estabelece que o estereótipo é uma cadeia contínua de outros estereótipos, tal conceito norteará a análise, posto que trataremos dos aspectos que compõem a representação das personagens. Ainda sobre as ferramentas de opressão abordaremos as palavras Pierre Bourdieu sobre violência simbólica, assim como elucidaremos acerca de identidade e representação com o amparo de Regina Dalcastagné e Stuart Hall. Debruçando-nos sobre o texto ficcional apontaremos a visão falocêntrica que surge para ser problematizada ou até mesmo ridicularizada, expondo assim o exibicionismo machista.

PALAVRAS-CHAVE: Mulher. Estereótipo. Subjetividade.

Biografia do Autor

Ricardo Araújo Barberena, Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul - PUCRS

Pós-Doutor em Teoria da Literatura pela UFRGS, professor permanente no Programa de Pós-Graduação em Letras da PUCRS e diretor do Instituto de Cultura na mesma Universidade. Coordena o GT da ANPOLL Literatura Brasileira Contemporânea. Coordena o Grupo de Pesquisa "Limiares Comparatistas e Diásporas Disciplinares: Estudo de Paisagens Identitárias na Contemporaneidade". Membro do Grupo de Pesquisa de Pesquisa do CNPq GELBC.

Ana Carolina Schmidt, Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul - PUCRS

Mestre em Letras pela PUCRS e doutoranda em Teoria da Literatura na mesma Universidade. Membro do Grupo de Pesquisa "Limiares Comparatistas e Diásporas Disciplinares: Estudo de Paisagens Identitárias na Contemporaneidade".

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Publicado
2020-10-28
Seção
Confluências da Literatura afro-brasileira