CONFLUÊNCIAS E PLURIPOTENCIALIDADES DAS RELIGIÕES AFRO-BRASILEIRAS

Resumo

Partindo dos conceitos de confluência e pluripotência, tratados por Antônio Bispo dos Santos, na obra Colonização, quilombos: modos e significações (2015), explicitamos diferentes modos de existir e resistir das religiões afro-brasileiras em território diaspórico. Por meio dos exemplos das manifestações religiosas do terecô, da cidade de Codó, no Maranhão, e do jarê, da Chapada Diamantina, na Bahia, argumentamos em favor da pluripotencialidade e do bem viver em confluência com a natureza e as relações estabelecidas com os seres intangíveis enquanto dispositivos dessas comunidades em sua continuidade e salvaguarda. Com isso, pretendemos demonstrar aos leitores como a plasticidade dessas religiosidades não apenas colabora historicamente para a sua continuidade, mas também lhes confere a possibilidade de constante transformação, no sentido de sua repotencialização por intermédio da heterogoneidade de confluências.

PALAVRAS-CHAVE: Confluência. Pluripotência. Religiões afro-brasileiras. Jarê. Terecô.

Biografia do Autor

Vanessa Silva dos Santos, Universidade Federal da Bahia – UFBA

Mestre em Antropologia pela Universidade Federal de Sergipe (UFS) e doutoranda em Antropologia pela Universidade Federal da Bahia (UFBA).

Roberto Henrique Seidel, Universidade do Estado da Bahia – UNEB

Doutor em Teoria Literária pela Universidade Federal de Pernambuco (UFPE); docente categoria pleno da Universidade do Estado da Bahia (UNEB), campus II, vinculado ao Programa de Pós-Graduação em Crítica Cultural (Pós-Crítica). Alguns textos podem ser acessados na página do professor: https://femba.academia.edu/RobertoHSeidel.

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Publicado
2020-10-28
Seção
Confluências da Literatura afro-brasileira