ESCRITORAS NEGRAS BAIANAS: TÁTICAS DE (RE) EXISTÊNCIA NO MERCADO EDITORIAL

Resumo

O presente trabalho reflete sobre modos de produção e circulação de textos de escritoras negras baianas. Com isso, buscamos perceber os sentidos que atribuem para o literário, as ferramentas criadas para produzir, publicar, circular e distribuir suas obras. Verificamos que as escritoras pesquisadas encontram diversas dificuldades nesse processo. Tal fato ocorre por conta de um sistema de exclusão que abarca as variáveis: gênero, raça, classe e região. Apesar das formas de interdições que se refletem na dificuldade de materialização do livro, tais escritoras criam táticas que facilitam a chegada de seus textos a um público leitor e põem em questão uma cultura capitalista, patriarcal e etnocêntrica. Isso demonstra o quanto estas escritoras, pouco visibilizadas, têm resistido e criado linhas de fuga perante sistemas de coerção que as aprisionam. Utilizamos como base teórica autores como Eduardo Duarte (2005), Ana Santiago (2012), Miriam Alves (2010), Jailma Moreira (2015), Fredric Jameson (2004), entre outros.

PALAVRAS-CHAVE: Literatura. Gênero. Raça. Mercado.

Biografia do Autor

Jailma dos Santos Pedreira Moreira, Universidade do Estado da Bahia - UNEB

Professora pós-doutora do curso de Letras da UNEB-Campus II, bem como do Mestrado em Crítica cultural da mesma instituição.

Taise Campos dos Santos Pinheiro de Souza, Universidade do Estado da Bahia - UNEB

Mestra em Crítica cultural, pela Universidade do Estado da Bahia-UNEB.

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Publicado
2020-10-28
Seção
Confluências da Literatura afro-brasileira